segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Waking up in the nightmare

Antonio Carlos Ribeiro

The film work of Florian Cassem (The Day I was not Born [Das lied in mir], Germany, 2010, 95min, drama) deals with debts of civilian and military dictatorships in Latin America. A dual theme, since there are several works on it - dating back to World War II, Nazism and the rise of the Western military alliance - but because this production still causes effects, seemingly has not yet exhausted the flow of pain, resentment and broken dreams, to the tens of thousands in South America. See: http://www.youtube.com/watch?v=LNEByTO9x2k


The subject recalls the longstanding "The official history" of an intellectual history teacher who wakes of the ingenuity to discover that her husband was a torturer and that her daughter 'adopted' is one of the granddaughters of the Madres de la Plaza de Mayo, kidnapped from militant’s families tortured and killed by the Argentine military dictatorship. The new ingredient is the affective memory of a child of 3 years - that supports the struggle of three decades living in another country, culture and language - which requires it to stop a long period of his life, to retrieve the three decades that have been stolen.

The film tells the story of a swimmer who lives in Germany, travels to Chile, during a stopover in Buenos Aires, hear a lullaby that makes a humming the phrases in a Spanish that she does not speak. She is moved, it loses the connection and located in Buenos Aires. She calls his father, who appears at the hotel two days later. This starts a process of revelations about the military dictatorship, the reasons for what have been brought to Germany in 80’s, climaxing to seek the family of the true parents.

Facts like the contact with the police, the involvement with a police officer, the revelation that his German family collaborated with the regime and the encounter with his biological family are steps that will reveal the complexity of the crime on the one hand, and on the other, the calm, patience and love needed to restore the truth, trying not to hurt someone who was wrong but acted in good faith. This requires greater sensitivity, courage and humanity to deconstruct the error without causing more harm.

The film is dense and the traffic of the argentinian capital and tense as the plot involving the stories of repression, especially when dealing with the wounds open of the strategy to kidnap the children of the oppositors to "purify" the country of communism’s influence. In fact, the second stage of a monumental crime of state to face a danger more imaginary than real, resulting from extreme repression in defense of the ideology of national security.

The fact that this movie is on display this time seems to integrate Latin American kairos - an eschatological-apocalyptic time when we face the pain of that time that we clean our recent past - waking up of a heady nightmare, which becomes more strong as far as consciousness begins to make full, calling us at once time become aware of what happened, find out what to do to rescue dignity, support the reconstruction of life, justice for victims, recovering the memory of the tortured, to confront the interests that caused so much suffering and death.

Three recent events lend importance to this theme: the difficulty of the debate over control of the financial elites of the mainstream media; the condemnation of Brazil by Inter-American Court of Human Rights (IACHR) after the Supreme Court upholding the law of amnesty and deny justice to victims of the dictatorship; the repatriation of the documents that were at the headquarters of the World Council of Churches (WCC) in Geneva (Switzerland), and the Center for Research Libraries in Chicago (USA); and the condemnation of military and civilian involved in the repression in Argentina, which produced the largest number of deaths on our continent.

For those not afraid of film about the real horror and has the courage to confront the truth and disposition, and love to resume life, be committed their time and to move on, I recommend watching.

domingo, 6 de novembro de 2011

Acordar no pesadelo

Antonio Carlos Ribeiro

A obra cinematográfica de Florian Cassem (O Dia em que não nasci[Das lied in mir]; Alemanha, 2010, 95min, drama) trata dos débitos das ditaduras civis e militares latino-americanas. Um tema dual, já que sobre ele existem diversas obras – remontando à segunda guerra, ao nazismo e ao surgimento da aliança militar ocidental – mas também porque essa produção ainda provoca efeitos, parecendo ainda não ter esgotado a caudal de dores, ressentimentos e sonhos interrompidos, às dezenas de milhares, na América do Sul. Veja

O assunto relembra o já antigo “A história oficial”, da culta professora de história que acorda da ingenuidade ao descobrir que o marido é torturador e que a filha ‘adotada’ é uma das netas das Madres de La Plaza de Mayo, sequestrada de famílias de militantes torturados e mortos da ditadura militar argentina. O ingrediente novo é a memória afetiva de uma criança de 3 anos – que suporta o embate com três décadas de vida em outro país, cultura e língua – que a obriga a interromper um longo período de sua vida, para recuperar as três décadas que lhe foram roubadas.


O filme narra a história de uma nadadora que vive na Alemanha, viaja ao Chile e, durante a escala em Buenos Aires, ouve uma canção de ninar que a faz cantarolar as frases num espanhol que ela não fala. Ela se emociona, perde a conexão e fica em Buenos Aires. Telefona para o pai, que aparece no hotel dois dias depois. Isso inicia um processo de revelações sobre a ditadura militar, as razões de ter sido levada à Alemanha nos anos 80, chegando ao clímax de procurar a família dos verdadeiros pais.

Fatos como o contato com a polícia, o envolvimento com um policial, a revelação de que sua família alemã colaborou com o regime e o reecontro com sua família biológica são etapas que vão revelando a complexidade do crime, de um lado, e do outro, a calma, a paciência e o amor necessários ao restabelecimento da verdade, buscando não ferir quem errou mas agiu de boa fé. Isso exige maior sensibilidade, coragem e humanidade para desconstruir o erro sem causar mais mal.

O filme é denso como o trânsito da capital argentina e tenso como os enredos que envolvem as histórias da repressão, sobretudo ao mexer na ferida aberta da estratégia de sequestrar filhos de opositores do regime para “purificar” o país da influência do comunismo. Na verdade, a segunda etapa de um monumental crime de Estado para enfrentar um perigo mais imaginário que real, resultante da repressão extrema em defesa da ideologia da segurança nacional.

O fato desse filme estar em cartaz nesta época parece integrar esse kairós latino-americano – um tempo escatológico-apocalíptico em que nos defrontamos com as dores desse tempo em que passamos a limpo nosso passado recente – acordando de um inebriante pesadelo, que se torna mais forte tanto quanto a consciência começa a se plenificar, nos fazendo a um só tempo, tomar consciência do ocorrido, descobrir o que fazer para resgatar dignidades, apoiar a reconstrução da vida, justiçar as vítimas, recuperar a memória dos torturados, e confrontar os interesses que provocaram tanto sofrimento e morte.

Três fatos recentes emprestam importância a este tema recorrente: a dificuldade do debate pelo controle das elites financeiras sobre a grande mídia; a condenação do Brasil pela Corte Inter-americana de Direitos Humanos (CIDH) após o Supremo Tribunal Federal manter a lei da anistia e negar a justiça às vítimas da ditadura; a repatriação dos documentos que estavam na sede do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Genebra (Suíça), e do Center for Research Libraries, em Chicago (EUA); e a condenação de militares e civis envolvidos na repressão argentina, que produziu o maior número de mortos em nosso continente.

Para quem não tem medo de filme sobre o terror real e tem coragem para se defrontar com verdade e disposição, e amor para retomar a vida, compromissar-se com seu tempo e seguir em frente, recomendo assistir.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Anistia Internacional convida Marcelo Freixo a deixar o país

ALC

O deputado estadual Marcelo Freixo, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Rio de Janeiro, aceitou o convite da Anistia Internacional e vai deixar o país por causa das ameaças de morte sofridas.

Tradição de Defesa dos Direitos Humanos

A Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro divulgou nota dizendo que investigou a ameaça de morte. O parlamentar ironizou a divulgação, dizendo que o mesmo procedimento foi adotado em relação à juíza Patrícia Aciolli, morta a tiros, no dia 12 de agosto, quando se aproximava da entrada do condomínio onde residia, em Niterói.

Crítico do governo estadual e em especial do setor de Segurança, disse ter relações “republicanas” com o secretário José Mariano Beltrame, que lhe garantiu que todas as ameaças foram investigadas. Ele observou, ao mesmo tempo, que nunca recebeu nenhum resultado dessa investigação, que o secretário argumentou ser sigiloso.

A saída do deputado para o exterior por causa das ameaças, pelo fato de o Estado não ter assumido sua segurança e diante da morte da juíza por agentes públicos, ganhou destaque em jornais internacionais. O Fox News divulgou que as “ameaças da polícia corrupta que aterroriza as vizinhanças cariocas” é a principal causa da ida do parlamentar para a Europa, lembrando que as milícias são integradas por policiais, bombeiros e políticos, e atuam como grupos paramilitares.

Freixo entrega o relatório das Milícias à AI

A agência Reuters o descreveu como um conhecido deputado estadual pelo Rio de Janeiro que tem que abandonar seu país por causa de ameaças de um grupo paramilitar que ele foi responsável por investigar. O diário inglês The Guardian disse que ele é um ativista pelos direitos humanos, com trabalho em presídios e favelas, e foi ameaçado por uma milícia violenta e poderosa.

Freixo presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em 2008 e indiciou mais de 200 pessoas, entre policiais e políticos. Desde então, o deputado passou a sofrer ameaças. Ele se licenciou da Alerj, vai viajar com a família. “Vou aproveitar par divulgar esse relatório da CPI das milícias lá fora”, cutucou.

Representantes de diferentes partidos políticos e entidades fizeram um ato em defesa do deputado, depois que um documento da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar apontou que Freixo seria alvo de atentado. Segundo o documento, o miliciano conhecido como Carlão planejava o assassinato, pelo que receberia dinheiro de um ex-PM se executasse o deputado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Desmond Tutu is Doctor Honoris Causa for PUCPR

ALC

The Anglican Archbishop Emeritus and Nobel Peace Prize winner Desmond Mpilo Tutu was awarded the title of Doctor Honoris Causa of the Pontifical Catholic University of Paraná (PUCPR). The ceremony occurred on the University Theatre on Friday (28), in recognition of their continuing struggle against poverty, prejudice and racism.


The ceremony was chaired by Prof. Ivo Juliatto Clement, president of the PUCPR, who remembered the relentless struggle of Tutu in the campaign to end apartheid and the promotion of reconciliation and democracy in South Africa "For all of us, Tutu leaves a message: we live in a world in which truth and freedom always prevail", he said.

Among the outstanding merit in the choice for the title, he is presented as a "global pilgrim to propagate spiritual values, human rights, nonviolence and tolerance, as well as their continuing struggle against poverty, prejudice and racism among all peoples the earth".

The president recalled his graduation ceremony at Columbia University (USA) in 1984, when Tutu was honored, but could not attend because he had been prohibited from leaving the South African, by government at the time. "I told myself that one day if I could, would do a tribute to this great man", said. The Archbishop greeted all present and invited authorities, thanked the memorial and spoke about his record of struggle.

Tutu was born in Klerksdorp, South Africa in 1931. He studied at the Normal School in Johannesburg and, in 1954 at the University of South Africa. He worked as a school teacher and was ordained priest in 1960. From 1967 to 1972, studied theology at King's College, London University. In 1975 he was appointed dean of St. Mary's Cathedral, in Johannesburg, and was consecrated a bishop in 1976, rising to head the diocese of Lesotho. In 1978 he became Secretary General of the Council of the Churches of South Africa

His proposal for the South African society included equal civil rights for all, abolition of laws that limited the movement of blacks, a common education system and end the forced deportation of blacks. After the end of apartheid in 1994, he chaired the Truth and Reconciliation Commission, aimed at promoting racial integration in South Africa, with powers to investigate, prosecute, and amnesty for human rights crimes committed under the system.

In 1997, released the final report of the Commission, which accused him of human rights violations so the authorities of the racist regime of South Africa as the organizations that fought against apartheid. At the same time he received the Nobel Peace Prize, was elected Archbishop of Johannesburg, and then of Cape Town. He received a doctorate honoris causa from major universities in the U.S., U.K. and Germany.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Desmond Tutu é Doutor Honoris Causa pela PUC-PR

ALC

O arcebispo anglicano emérito e Prêmio Nobel da Paz Desmond Mpilo Tutu recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). O fato ocorreu no teatro da Universidade, na sexta-feira, 28 de outubro, em reconhecimento à sua luta incessante contra a pobreza, o preconceito e o racismo.


A cerimônia foi presidida pelo professor Clemente Ivo Juliatto, reitor da instituição de ensino. Juliatto lembrou a incansável luta de Tutu na campanha pelo fim do apartheid e pela promoção da reconciliação e democracia na África do Sul. “Para todos nós, Tutu deixa uma mensagem: nós vivemos em um mundo em que a verdade e a liberdade sempre prevalecem”, disse.

Entre os méritos destacados na escolha para a titulação, ele é apresentado como um “peregrino global para propagar valores espirituais, os direitos humanos, a não violência e a tolerância, assim como sua luta incessante contra a pobreza, o preconceito e o racismo entre todos os povos da Terra”.

O reitor rememorou sua cerimônia de graduação na universidade de Columbia (EUA), em 1984, quando Tutu seria homenageado, mas não pôde comparecer porque havia sido impedido de sair da África do Sul pelo governo da época. “Disse para mim mesmo que um dia, se pudesse, faria uma homenagem a este grande homem”. O arcebispo anglicano cumprimentou as autoridades presentes e convidados, agradeceu a homenagem e falou sobre sua trajetória de luta.

Tutu nasceu em Klerksdorp, África do Sul, em 1931. Estudou na Escola Normal de Johannesburgo e, em 1954, na Universidade da África do Sul. Trabalhou como professor secundário e foi ordenado sacerdote em 1960. De 1967 a 1972, estudou Teologia no King´s College, da London University. Em 1975, foi nomeado decano da Catedral de Santa Maria, em Johannesburgo, e em 1976 foi sagrado bispo, passando a dirigir a diocese de Lesoto. Em 1978, tornou-se secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul.

Sua proposta para a sociedade sul-africana incluía direitos civis iguais para todos, abolição das leis que limitavam a circulação dos negros, um sistema educacional comum e o fim das deportações forçadas de negros. Após o fim do apartheid, em 1994, presidiu a comissão de Reconciliação e Verdade, destinada a promover a integração racial na África do Sul, com poderes para investigar, julgar e anistiar crimes contra os direitos humanos praticados na vigência do regime.

Em 1997, divulgou o relatório final da Comissão, que acusava de violação dos direitos humanos tanto as autoridades do regime racista sul-africano como as organizações que lutavam contra o apartheid. Na mesma época em que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, foi eleito arcebispo de Johannesburgo e, depois, da Cidade do Cabo. Recebeu o título de doutor honoris causa de importantes universidades dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha.

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